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domingo, 14 de novembro de 2010

Crispiniano Neto Vira Imortal na ABLC

Em 1° de Agosto, o presidente da Fundação José Augusto, Crispiniano Neto, tomou posse da cadeira de n° 26 na Academia Brasileira de Literatura de Cordel.

Crispiniano Neto é o terceiro poeta norte-riograndense a tornar-se imortal da ABLC. O primeiro foi o poeta cordelista, cantor e compositor Marcos Lucenna, que ocupa a Cadeira Número 7, cujo patrono é o poeta e principal editor da Literatura de Cordel, João Martins de Athayde; o segundo foi o poeta Antonio Francisco Teixeira de Melo, que ocupa a Cadeira no. 15, cujo primeiro ocupante foi Patativa do Assaré. Crispiniano Neto ocupará a Cadeira numero 26 cujo patrono é o também potiguar, Luis da Câmara Cascudo, considerado o maior folclorista do Brasil e o que mais escreveu sobre as origens da Literatura de Cordel.

A ABLC homenageia ainda outro norte-riograndense, também folclorista e escritor, Veríssimo de Melo, que é patrono da Cadeira de número 16, ocupada pela poetisa Adriana Cordeiro Cavalcanti.

Crispiniano escreve cordéis há cerca de 20 anos e tem bastante conhecimento do tema. Tanto que ele acaba de editar o livro "Lula na literatura de cordel", uma compilação de cordéis lançados sobre o presidente Lula país afora. A edição e a posse coincidem por um pedido do próprio presidente, que fez questão de participar da solenidade. Até agora a presença de Lula na cerimônia na ABLC está confirmada pelo cerimonial da Presidência da República.

Crispiniano considera a posse da cadeira como um reconhecimento do seu trabalho e afirma que nem todos que se dizem cordelistas não o são realmente. "Há muita gente fazendo Literatura de Cordel. Inclusive, há muita gente falsificando a Literatura de Cordel. Há aqueles que acham que pegar um papel e colocar versos a esmo, sem as normas técnicas de Literatura de Cordel, sem a poética do Cordel, dobrando uma folha de ofício em quatro partes e dizer que aquilo é Cordel. Quando minha candidatura foi aprovada na Academia Brasileira de Literatura de Cordel, a presidência me deu a missão para criar a Academia de Literatura de Cordel do Rio Grande do Norte, ligada a ABLC. Nessa Academia, só vai entrar quem faz o Cordel verdadeiro", conta o escritor.

Além da filial potiguar da ABLC, Crispiniano pretende criar a Cooperativa Brasileira de Cordel, que terá sede em Natal com uma rede de mais de 200 representantes em todo o país, começando pelo Nordeste. O funcionamento se dá da seguinte forma: Quando um cordel for lançado, a Cooperativa vai recebe mil exemplares e distribuir nessa rede. Aqueles que não venderem os cordéis, devolvem o material com três meses, como fazem as bancas de revistas. "Nós temos que encarar a Literatura de Cordel como um grande negócio que gera emprego e faz cultura. O Nordeste tem mais de oito mil poetas populares. Mas, acredito que desses entre 300 a 500 poetas vivem da Literatura de Cordel e, em cinco ou seis anos, acredito que possamos construir uma grande rede de negócios."

Crispiniano considera que sua contribuição para a literatura de cordel foi dentro da abordagem temática. Para que aquilo que é vivido no folclore não seja esquecido ou tido como algo antigo e imutável. "Pode mudar. Agora, mudar sem se perder, mudar sem falsificar. Ser reconhecido pela ABLC significa que minha literatura continua original", declara.

Além de cordelista, Crispiniano Neto é também escritor de peças teatrais e ocupa o cargo de presidente da Fundação José Augusto, o que corresponde a um secretário de Cultura do Rio Grande do Norte. Como dramaturgo ele escreveu o texto das últimas edições do "Auto da Liberdade", que ocorre todo setembro em Mossoró.

"Há uma mudança significativa do texto para o palco. Quando eu fiz a peça a pedido de diretor de teatro Amir Haddad, foi sugerido para não usar a estrutura da dramaturgia, dos diálogos, etc. Nem Amir e nenhum outro diretor que seguiu a frente do espetáculo não falsificaram a mensagem, eles adaptaram", diferencia.

Como ocupante de cargo político as dificuldade são maiores. Entre elas, o desenvolvimento de uma política de cultura para o RN, que independa de governantes e seja permanente no Estado.

Crispiniano afirma que a FJA cresceu muito, sendo que artificialmente, comparando-a como portadora de uma "elefantíase" (doença que causa inchaço em determinadas partes do corpo). "Foram criadas 45 Casas de Cultura, mas não pensaram na programação. Temos os agentes de cultura com empregos precários e as Casas não têm um quadro definitivo."
ABCLA Academia Brasileira de Literatura de Cordel foi criada em 7 de setembro de 1988 numa sala emprestada de um Comitê eleitoral, foi de eleição à Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. Na primeira diretoria eram somente três os cordelistas: o presidente, Gonçalo Ferreira da Silva, o vice, Apolônio Alves dos Santos e o diretor cultural, Hélio Dutra.

Passados, os momentos iniciais de euforia e vencido o prazo de cessão da sala, a ABLC passou a viver um período de peregrinação.

Algumas das reuniões chegaram mesmo a ser realizadas em bares, lanchonetes e restaurantes, até que através de Abelardo Nunes da Academia Internacional de Letras, a ABLC foi recebida na Federação das Academias de Letras do Brasil, onde passou a fazer as reuniões do ABLC.

Foi então criado um quadro de beneméritos e iniciada uma sólida ponte de informações culturais, unindo a entidade aos principais centros de difusão da literatura de cordel no Brasil e no mundo. Pouco aceita pela comunidade acadêmica, em 1990 a ABLC estava consolidada. Mais tarde, a aproximação de Humberto Peregrino, diretor da Biblioteca do Exército, fundador da Casa de Cultura São Saruê e grande amante da Literatura de Cordel, com Gonçalo Ferreira da Silva, presidente da ABLC fez com que o acervo da São Saruê fosse transferido para a Academia de Cordel.

A ABCL hoje funciona em uma sede de quatro andares o bairro de Santa Tereza e já conquistou o reconhecimento do mundo intelectual, das autoridades e, o que é mais importante, do público amante da Literatura de Cordel.

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