Diferencial do N-Bot é a troca do processador por aparelhos como celulares. Projeto venceu concurso na África e será usado em escolas públicas do RN.
Pesquisadores do laboratório NatalNet, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) criaram um protótipo de robô para auxiliar crianças a aprender disciplinas como português, matemática e geografia que pode ser construído com R$ 40. O N-Bot, como é chamado, pode ser operado a partir de qualquer aparelho eletrônico que emita sons, como celular, MP3 ou computador. A intenção dos pesquisadores é disseminar o uso do protótipo em aulas nas escolas públicas do estado. Instituições de ensino da África já possuem manuais de montagem do robô educacional feitos para crianças.
Idealizador do projeto, o professor do Instituto Metrópole Digital (IMD)
e integrante do NatalNet, Rafael Vidal Aroca, explica que o robô pode
ser utilizado em atividades simples como o desenho de formas geométricas
nas aulas de matemática. "É colocado um lápis na estrutura do robô e a
própria criança programa o protótipo para fazer os desenhos", afirma.
Para aulas de geografia, o pesquisador conta que os robôs podem ser
programados para percorrer distâncias entre cidades nos mapas. As
práticas buscam aliar o ensino das disciplinas com a robótica.
De acordo com o professor da Escola de Ciência e Tecnologia (ECT) e
também integrante do NatalNet, Aquiles Burlamaqui, o diferencial do
N-Bot está no processador do protótipo. "O que torna os robôs caros é a
peça que faz o processamento deles, uma espécie de CPU dos robôs.
Queriamos substituí-lo por algo que estivesse ao alcance das pessoas, no
bolso. É aí que entram os telefones celulares, já que atualmente
existem mais linhas do que pessoas. Pensamos então em como torná-los
unidades de processamento", afirma.
A possibilidade de construir um robô educacional mais barato surgiu de
uma conversa entre os pesquisadores Aquiles e Rafael. "Resolvemos tirar o
computador do robô e colocar um celular, algo que todo mundo tem.
Digamos que é um protótipo sem processamento ou inteligência", informa
Rafael Aroca. Simples e barato, o circuito utiliza sinais de áudio para
controlar e movimentar os roca detalha que o controle dos robôs pode ser feito de diversas formas. (veja o vídeo ao lado).
Além do controle manual, feito com cliques nas teclas do celular
acoplado ao corpo do robô, mais um mecanismo é telefonar para o aparelho
do protótipo e controlá-lo com outro telefone. Em aparelhos com
reconhecimento de voz, o N-Bot obedece comandos falados. O detalhe é que
os dois telefones precisam estar conectados na mesma rede de internet.
"O controle também pode ser feito com programas que emitam som",
acrescenta o idealizador do N-Bot, que lembra a possibilidade de
utilizar tablets, MP3 e computadores na operação.
Se os protótipos são baratos enquanto construídos individualmente, a
expectativa dos pesquisadores é baixar ainda mais o custo quando a
produção acontecer em larga escala. "A faixa de R$ 40 que utilizamos é
para montar uma unidade comprando os produtos no Alecrim - bairro
comercial da zona Leste de Natal. O motor, por exemplo, custa R$ 18. Se
comprarmos uma caixa com 200 deles o preço cai para R$ 9 cada um",
especifica Aroca.
Robótica educacional
Os estudos sobre robótica educacional do laboratório NatalNet começaram em 2005 "O conceito é utilizar o robô como ferramenta didática para auxílio em diversas disciplinas, como português, matemática e geografia", explica Aquiles. De acordo com o professor, o efeito lúdico da robótica é fundamental. "A criança enxerga o robô como um brinquedo. Ela faz a atividade como se estivesse brincando", reforça.
Os estudos sobre robótica educacional do laboratório NatalNet começaram em 2005 "O conceito é utilizar o robô como ferramenta didática para auxílio em diversas disciplinas, como português, matemática e geografia", explica Aquiles. De acordo com o professor, o efeito lúdico da robótica é fundamental. "A criança enxerga o robô como um brinquedo. Ela faz a atividade como se estivesse brincando", reforça.
Os pesquisadores do NatalNet lembram que o custo sempre dificultou o
desafio de levar os robôs para dentro das escolas. "Não é um artefato
barato. Um dos que estão no laboratório, por exemplo, custa US$ 12 mil.
Já os kits educacionais mais baratos custam em torno de R$ 2 mil.
Distribuir isso em escolas públicas não é simples", acrescenta. O N-Bot
pode mudar esse panorama.
Da África para escolas públicas de Natal
Os resultados do projeto já apareceram no ano passado, quando o N-Bot foi aprovado para ser aplicado em escolas africanas. Na ocasião, o robô foi um dos protótipos escolhidos em um concurso promovido pela Rede Africana de Robótica (AFRON, na sigla em inglês). "Eles já possuíam um kit educacional de R$ 2.000 que passava um dia em cada escola africana. O objetivo do concurso era ter protótipos em todas as escolas", conta Aroca, que elaborou manuais didáticos para alunos africanos montarem seus próprios robôs.
Da África para escolas públicas de Natal
Os resultados do projeto já apareceram no ano passado, quando o N-Bot foi aprovado para ser aplicado em escolas africanas. Na ocasião, o robô foi um dos protótipos escolhidos em um concurso promovido pela Rede Africana de Robótica (AFRON, na sigla em inglês). "Eles já possuíam um kit educacional de R$ 2.000 que passava um dia em cada escola africana. O objetivo do concurso era ter protótipos em todas as escolas", conta Aroca, que elaborou manuais didáticos para alunos africanos montarem seus próprios robôs.
Apesar do reconhecimento fora do país, o pesquisador Aquiles Burlamaqui
revela que a preocupação maior do projeto é com o Brasil. O grupo
conseguiu um financiamento da Fundação de Apoio à Pesquisa do RN
(Fapern) e concederá 40 bolsas para universitários, professores do
ensino médio e alunos de escolas públicas. A ideia é promover aulas de
robótica educacional em instituições de ensino da rede pública estadual.
"Estamos fazendo versões do protótipo para as escolas públicas. Vamos
utilizar a parte eletrônica do N-Bot e os alunos vão montar o robô
estruturalmente", detalha. Os pesquisadores querem elaborar um kit de
montagem para ser distribuído. O projeto está atualmente na fase de
cadastramento das equipes. Além do projeto junto a Fapern, o grupo
esteve em Brasília no começo do mês para apresentar o N-Bot no
Ministério do Esporte. "A intenção é vender o produto como brinde na
Copa do Mundo. Um robô jogador de futebol", explica Aroca.
Créditos: http://g1.globo.com
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