Da UOL - O tema da redação deste ano do Enem (Exame Nacional do Ensino
Médio), "publicidade infantil em questão no Brasil", pegou candidatos e
avaliadores de surpresa, mas na opinião de professores ouvidos pelo UOL, trata-se de um tema pertinente e que exigia uma argumentação "menos radical" dos candidatos.
"O tema não é difícil. O que pode ter confundido os alunos é o tom da
redação. Pela proposta, o ideal era não fazer um discurso muito radical
ou amplo contra o consumismo, naquela linha de que 'o consumo faz a
criança querer ter e não ser', mas trazer a discussão para a sociedade,
porque o foco é a publicidade com relação às crianças, um público mais
vulnerável", avalia o diretor pedagógico da Oficina do Estudante, Célio
Tasinafo.
Para a professora Cida Custódio, do laboratório de
redação do Curso e Colégio Objetivo, o Enem esperava que os alunos
escrevessem sobre como os países adotam suas legislações sobre o tema,
qual a diferença entre um país com regras mais soltas e outro que proíbe
qualquer tipo de publicidade infantil e, principalmente, oferecer
sugestões de qual deveria ser o papel do Congresso Nacional e de outros
agentes sociais, como a escola.
A proposta de redação trouxe um
texto jornalístico que discute se a publicidade infantil deve ser
proibida no Brasil, um infográfico sobre a publicidade para crianças no
mundo e um texto sobre a criança como o consumidor do futuro.
Atualidade
Cida Custódio destacou a relação do tema com a cidadania, o que ela
considera uma característica dos temas cobrados pelo Enem na
redação. Para Tasinafo, o tema é atual e de relevância, e o candidato
que aproveitou bem as discussões sobre temas como capitalismo, consumo e
cidadania, muito falados nas aulas de sociologia e filosofia,
"conseguiu reunir bons argumentos e se sair bem na redação".
"Mais uma vez o Enem aposta em um tema que evoca a cidadania. De 1999
para cá, esses temas são cada vez mais estão presentes nas provas,
assuntos que envolvem a atuação do cidadão, individualmente ou
coletivamente, visando melhorar a qualidade de vida da sociedade", diz a
professora.
Segundo ela, o Enem buscou o tema na Resolução 163,
aprovada em abril deste ano e que considera ilegal "a prática do
direcionamento de publicidade e comunicação mercadológica à criança com a
intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço".
Pela medida, a publicidade pode continuar existindo, mas deve ser
direcionada aos adultos.
"Essa medida foi muito mais discutida pelo mercado publicitário do que pela sociedade, daí a surpresa da escolha", avalia Cida.
"O tema deu margem para argumentos originais, com os candidatos
trazendo as suas próprias experiências para o texto. Foi possível para
se posicionar e apresentar as propostas de intervenção que o Enem sempre
espera dos candidatos. Não uma conclusão geral, oferecer caminhos".
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